Cine Lapso #2: Mary & Max - Uma Amizade Diferente
22 de abril de 2014
Título original: Mary and Max
Nacionalidade: Austrália
Ano de lançamento: 2009
Diretor: Adam Elliot
Gênero: Animação/Drama
Avaliação: + + + +
!!ATENÇÃO!! - O texto abaixo pode conter SPOILERS
Mary Dinkle, uma menina de 8 anos sem muitos amigos, vive com seus pais em Melbourne na Austrália e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e portador da Síndrome de Asperger, mora sozinho em seu apartamento em Nova York. Um dia Mary se viu diante de uma pergunta: de onde vem os bebês? Para sanar sua curiosidade, resolve escrever uma carta a um destinatário aleatório. Max recebe a carta da garotinha e a responde. Nesse vai e vem de troca de correspondências, eles descobrem afinidades, problemas da vida de cada um e constroem uma amizade à distância sem nunca um ter encontrado pessoalmente o outro.
Durante 20 anos a narrativa se dá através de cartas e possui poucos diálogos. As cores do ambiente, marrom para as cenas de Mary, enquanto que preto e branco para as cenas de Max é um toque genial da arte do filme quando se quis passar um ar melancólico, sem falar das características estereotipadas dos personagens e a trilha sonora instrumental que também contribui. Definitivamente, apesar de ter sido feito com massa de modelar e ter aspecto de desenho, não é um filme indicado para crianças, muito pelo contrário, há cenas no filmes que particularmente não aconselho pelo peso depressivo delas.
A velocidade com que as coisas acontecem é lenta, porém necessária para causar o desconforto e a reflexão propostos por temas como morte, suicídio, solidão e, principalmente, amizade. Baseado em fatos reais, o filmes desperta para uma realidade bem próxima quando feito um paralelo com o filme "Her" de Spike Jonze.
Um filme que requer muita sensibilidade para vê-lo e perceber todas as suas nuances. Uma aula incrível de vivência. A trama foi muito bem bolada e não deixou pontas soltas. Conseguiu, ainda, mexer na ferida de uma sociedade que cada vez mais vive isolada, uma sociedade cada vez mais doente.
O Lapso
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Bruno Bello
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Cine Lapso #1: Os Filhos do Padre
16 de abril de 2014
Título original: Svecenikova Djeca
Nacionalidade: Croácia
Ano de lançamento: 2013
Diretor: Vinko Bresan
Gênero: Comédia dramática
Avaliação: + + + +
!!ATENÇÃO!! - O texto abaixo pode conter SPOILERS
O filme, que se passa numa charmosa e pacata vila da região da Dalmácia, trata de forma bastante sutil, porém intrigante, alguns dogmas da religião católica. Uma comédia dramática que usa muito bem do humor e da ironia para criticar temas principais como, por exemplo, sexo fora/antes do casamento, uso de métodos contraceptivos, relações familiares e fragilidades/contradições da igreja.
A história do jovem padre Fabijan, que diante da quantidade de óbitos do pequeno lugar, que supera a taxa de natalidade, resolve ajudar a reverter esse quadro. Após a confissão do seu futuro ajudante, o jornaleiro Petar, descobre que o motivo de tal situação é a venda de preservativos. Teve, então, a brilhante ideia de vender preservativos furados. Observando que não estava adiantando, procura o farmacêutico Marin, outro futuro ajudante do seu plano, e propõe a troca das pílulas anticoncepcionais por placebos.
A partir daí começam a surgir os problemas causados por essa loucura e os três tentam, de forma desastrada, resolvê-los, mas acabam causando, às vezes, uma cadeia de erros fatais. O filmes também deixa claro que a opção por ter um bebê envolve muito mais do que se pode imaginar.
"Os Filhos do Padre", adaptação de uma peça, consegue prender a atenção do espectador do começo ao fim com uma trama simples, trilha sonora suave, diálogos interessantes e fecha com chave de ouro com um final surpreendente e angustiante. Não é surpresa ser o segundo filme de maior bilheteria da Croácia, sendo o primeiro do mesmo diretor: "O Fantasma de Tito".
O Lapso
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Não sei quantas almas tenho
14 de março de 2014
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
Enquanto minha resenha sobre filmes não sai, uma boa leitura compensa...
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Bruno Bello
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Cinema.
18 de fevereiro de 2014
Como o blog anda muito parado dos meus textos que são frutos da minha introspecção e da observação de fatos do cotidiano, resolvi que vou tentar fazer pelo menos 2 postagens por mês sobre filmes que vi, sejam eles do tempo de sua avó, do seu tempo de criança, estreias e até mesmo filmes não lançados. O primeiro sai daqui a alguns dias, pois acabei de ter essa ideia e ainda preciso ler algumas coisas mais técnicas para não sair falando muita besteira, porque besteira eu tenho certeza que vai ter. rsrs
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Pressa.
20 de janeiro de 2014
É cada vez mais comum o atropelar das vivências e, concomitantemente a isso, o amadurecimento é exigido de maneira cada vez mais precoce, ou seja, é imprescindível saber agir em todas as situações, mesmo aquelas as quais nunca tivemos tino no trato, sobretudo as que precisamos tomar decisões rápidas de resultados instantâneos. O ritmo é acelerado e insano, poderia citar ao menos dez bons exemplos de como isso acontece no dia a dia doentio, mas o fato que realmente importa aqui é que quem não acompanha se perde de vez, no pior sentido possível, ou se acha em outra realidade mais suave, em uma felicidade diária (ao invés de faíscas de felicidade), uma compreensão de vida que vai além do ordinário. Até perceber a necessidade de imprimir um ritmo mais lento, principalmente nas relações pessoais, até conseguir, lá se vão tropeços, desentendimentos, desencontros e erros completamente desnecessários. Nessa corrida não tem vencedor e nem deveria existir atalhos, pois só assim poderemos perceber as oportunidades que passam diante de nós e que deixamos passar por vivermos o hoje pensando na plenitude do amanhã. Permita-se ao hoje, a ver que as coisas são diferentes a cada segundo que passa e que o amanhã pode ser mais belo se comparado ao hoje, mas ainda é amanhã e o hoje ainda é belo.
O Lapso.
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Defeitos.
24 de dezembro de 2013
Diante disso, resta dizer que o defeito de um pode ser a mesma qualidade de outro, seja físico ou moral. O que decide isso é a vontade daquele que observa. Até ai tudo bem, mas porque alguns defeitos são considerados mais "defeituosos" do que outros? Hummmm. Senso comum?! Parece que fizemos doutorado em apontar o defeito alheio, de julgar o problema particular do outro, subjugar a simpatia da exceção moral, transformar o defeito físico em algo mais grave que o defeito moral, como se todos nascêssemos com saúde perfeita e assim perdurasse pelo resto da vida.
As qualidades? Pra quê? A única coisa que devemos pensar é o paradoxo que já atormentava Machado de Assis: "Por que coxa, se bonita? Por que bonita, se coxa?". E vamos negando o quanto pudermos que somos assim, só mudam os adjetivos.
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Constatações.
9 de dezembro de 2013
Faço dos livros o meu refúgio. Das pessoas, estou cansado delas, de ver como todas são iguais e como não se reconhecem dessa forma, mesmo observando a tentativa inútil de se diferenciar, sem muito sucesso, apenas algumas máscaras ou capas que servem meramente como adorno. No cerne, somos todos mentirosos dissimulados sem razão para tanto. É um puritanismo sem fim, uma hipocrisia nem tão velada, um enjoo dos mesmos jogos de palavras e das mesmas situações. Não ando por aí defendendo bandeiras aviltantemente, sei que no fim não serei tão coerente com meu próprio agir e com certeza não perceberei o quão ridículo estarei sendo, então retorno para o meu refúgio onde posso encontrar os mais diversos personagens, lá posso julga-los sem culpa, imagina-los da maneira que eu desejar, mesmo tendo as suas características descritas detalhadamente por autores não menos humanos, enfim, eu sou o leitor.
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Faça amor, não faça jogo.
21 de novembro de 2013
Ouvi um velhinho dizer:
“Amei a mesma mulher durante 50 anos”.
Pensei no quanto isso era ducaralho,
até que ele disse:
“Queria que ela soubesse disso.”
As vezes as pessoas fazem jogo duro,
porque precisam saber
se os sentimentos do outro são reais.
Pensei no quanto isso era fodido.
Somos apenas caras,
somos estúpidos ás vezes,
muitas vezes.
Quantas vezes,
quis dizer:
“EU GOSTO DE VOCÊ”
e não disse.
Não quero chegar aos 90 anos,
morrer e pensar:
“eu podia ter tentado”
Eu costumava ser mais feliz.
Hoje tá tudo meio “tanto faz”
Vejo homens chamando mulheres para saírem,
e no último minuto desmarcarem.
Apenas para serem
difíceis,
ou tanto faz.
O maior crime do homem
não é despertar o amor de uma mulher
e não amá-la,
é fazê-la se depilar à toa.
Eu tinha uma paquera,
eu mandava mensagem,
e ela demorava sempre 4 dias para responder.
Imagina
se eu fosse aquelas pessoas,
que pensam
que se demorar mais de 5 minutos para responder
já começam a se arrepender
de cada letra que escreveu.
Esses dias,
depois de sei lá quanto tempo,
essa paquera mandou mensagem:
“Estou com saudades”
A pessoa diz sentir sua falta,
mas não demonstra.
Ela espera que você adivinhe
com seus super poderes mentais,
que ela precisa de você.
Eu sabia
que qualquer coisa que eu respondesse,
teria que esperar 4 dias para a resposta.
Então respondi:
“Aproveita o gelo que vai me dar e me traz uma coca gelada”
Se você está cansado de joguinhos,
de tanto faz,
dessas regras bobas,
faça como eu,
demita-se.
Sabe,
esqueca essa teoria de não dar moral.
Se quer ligar,
liga.
Vai lá,
tente a sorte,
quebre a cara,
arrisque.
Sabe,
pensar duas vezes
é à distância entre os que sonham
e os que vivem.
Então,
viva.
Saí fora dessa bolha
felicidade não é mercadoria,
não é um remédio que se fabrica,
com fórmula errada ainda,
de indiferença,
cara feia,
e nariz empinado.
Não tem graça
ter essa vida,
onde você tem que esconder
seus sentimentos
por que alguns,
falam que isso é o seu valor.
Muita idiotice.
Limitar-se já é um problema,
limitar o sentimento é o pior deles.
Perdemos a chance
de viver uma história
pelo simples fato de não falar.
Eu agora,
me apaixono por mulheres que,
além de gostarem de Pearl Jam,
aceleram meu coração.
Eu agora,
me apaixono por mulheres
diretas e honestas.
Que não fazem jogos,
fazem amor.
Quero conquistar uma mulher
sendo eu mesmo.
Sem estereótipos,
sem medo.
Eu agora,
passei a ver o mundo de outra maneira.
E não foi ele que mudou,
fui eu.
Escrito por Ique Carvalho:
http://www.thebrocode.com.br/artigo-196-faca-amor-nao-faca-jogo/
“Amei a mesma mulher durante 50 anos”.
Pensei no quanto isso era ducaralho,
até que ele disse:
“Queria que ela soubesse disso.”
As vezes as pessoas fazem jogo duro,
porque precisam saber
se os sentimentos do outro são reais.
Pensei no quanto isso era fodido.
Somos apenas caras,
somos estúpidos ás vezes,
muitas vezes.
Quantas vezes,
quis dizer:
“EU GOSTO DE VOCÊ”
e não disse.
Não quero chegar aos 90 anos,
morrer e pensar:
“eu podia ter tentado”
Eu costumava ser mais feliz.
Hoje tá tudo meio “tanto faz”
Vejo homens chamando mulheres para saírem,
e no último minuto desmarcarem.
Apenas para serem
difíceis,
ou tanto faz.
O maior crime do homem
não é despertar o amor de uma mulher
e não amá-la,
é fazê-la se depilar à toa.
Eu tinha uma paquera,
eu mandava mensagem,
e ela demorava sempre 4 dias para responder.
Imagina
se eu fosse aquelas pessoas,
que pensam
que se demorar mais de 5 minutos para responder
já começam a se arrepender
de cada letra que escreveu.
Esses dias,
depois de sei lá quanto tempo,
essa paquera mandou mensagem:
“Estou com saudades”
A pessoa diz sentir sua falta,
mas não demonstra.
Ela espera que você adivinhe
com seus super poderes mentais,
que ela precisa de você.
Eu sabia
que qualquer coisa que eu respondesse,
teria que esperar 4 dias para a resposta.
Então respondi:
“Aproveita o gelo que vai me dar e me traz uma coca gelada”
Se você está cansado de joguinhos,
de tanto faz,
dessas regras bobas,
faça como eu,
demita-se.
Sabe,
esqueca essa teoria de não dar moral.
Se quer ligar,
liga.
Vai lá,
tente a sorte,
quebre a cara,
arrisque.
Sabe,
pensar duas vezes
é à distância entre os que sonham
e os que vivem.
Então,
viva.
Saí fora dessa bolha
felicidade não é mercadoria,
não é um remédio que se fabrica,
com fórmula errada ainda,
de indiferença,
cara feia,
e nariz empinado.
Não tem graça
ter essa vida,
onde você tem que esconder
seus sentimentos
por que alguns,
falam que isso é o seu valor.
Muita idiotice.
Limitar-se já é um problema,
limitar o sentimento é o pior deles.
Perdemos a chance
de viver uma história
pelo simples fato de não falar.
Eu agora,
me apaixono por mulheres que,
além de gostarem de Pearl Jam,
aceleram meu coração.
Eu agora,
me apaixono por mulheres
diretas e honestas.
Que não fazem jogos,
fazem amor.
Quero conquistar uma mulher
sendo eu mesmo.
Sem estereótipos,
sem medo.
Eu agora,
passei a ver o mundo de outra maneira.
E não foi ele que mudou,
fui eu.
Escrito por Ique Carvalho:
http://www.thebrocode.com.br/artigo-196-faca-amor-nao-faca-jogo/
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A busca por não ser mais um entre todos.
15 de novembro de 2013
Fica com a sua necessidade de mostrar o saber maculado com a soberba, que eu fico com a minha vontade pragmática de querer viver o que tenho hoje, já que não posso mudar o ontem ou prever as certezas do amanhã. Fica com suas crenças do senso comum, que lhe faz ser essa contradição personificada, que eu fico com a minha criticidade em excesso. O conteúdo cheio nem sempre é sinônimo de algo bom. Os caminhos, e as necessidades que emergem deles, é que ditam qual conteúdo precisamos. De que adianta estarmos cheios e vivermos vazios? O tempo é cruel com todos, está sendo conosco, mas consigo colocar os pontos e vírgulas quando necessário e hoje te transformo em ponto e vírgula. Um coisa, e a palavra coisa serve muito bem para não definir nada, que prefiro não ser é mais um, mas dentro da transformação de alguém em ninguém. Por hora passara a ser somente outro nome qualquer de uma das listas que permeiam minha rotina. Entraste na estatística e engrossaste o modo de vida que tanto critica com sua empáfia. Sim, é com críticas humildes que se constrói, e não com diálogos inúteis e intermináveis regados a uma linguagem segregadora e terminologias das mais cultas possíveis, porém ininteligíveis em sua concatenação de ideias. Importante lembrar que manter a língua intocada e presa é imobilismo intelectual, mas não me espanta que você negue veementemente esse ar que carrega dentro de si. Desejo mais vida e mais coerência, mas antes apague a luz quando sair. Hoje sou só mais um.
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Aborto
13 de outubro de 2013
É possível abortar depois de nascer pronto, acabado e único? Sim, nasceu pronto para ser. Depois de toda uma concepção, de sonhos, do respiro e sinais vitais, pulsava em vermelho vivo. Mas nunca foi e a probabilidade de ser o que nasceu para ser é quase nula, só um milagre o salvará, e foi assim: ponto.
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Ligo ou desligo?
8 de outubro de 2013
Vi uma crítica feita pelo site KibeLoco na qual em cima da notícia "Brasil tem tarifa de celular mais cara do mundo, diz estudo." foi feito o seguinte trocadilho: "Sabe porque o Brasil tem a tarifa de celular mais cara do mundo? Porque vive ligando o foda-se.". Depois de ler fiquei algum tempo pensando no "foda-se". O que é o foda-se? Nada mais é do que a versão masculina (sem limites ou restrições de uso) do "Tô nem ai" afeminado de composição da cantora (?) Luka com o Latino (já deu para perceber o porquê de não ser tão usado como o fdse). Não sei porque escrevi isso, haja vista que não tem relevância nenhuma, mas o que interessa mesmo é saber se a sociedade liga o foda-se ou não. A primeira pergunta a ser feita é: você liga o foda-se? Caso a resposta seja positiva (caso seja negativa, reveja seus conceitos), não fique triste, você com certeza não está sozinho e, por enquanto, não está do lado negro da força, ou seja, ainda há uma salvação. A segunda pergunta a ser feita é: o foda-se é social ou individual? Se for social, ou seja, o foda-se que envolve uma questão que possa gerar consequências além do ego, sim, você é um daqueles que se fodem sem saber ou até mesmo sabendo (não sei qual o pior). Se as consequências não ultrapassam o ego, é um foda-se individual que pode atingir o ego para bem ou para o mal. Sabendo usar, faz um bem incomensurável e, como dito anteriormente, sem limites ou restrições. Eu ligo o foda-se, faço isso diariamente, para algumas situações ou para pessoas.
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SQN
1 de outubro de 2013
Mais uma moda lançada nas redes sociais que se prolifera como uma praga. Ninguém me tira da cabeça que o poder de interpretação das pessoas está se esvaindo com o excesso do uso das redes sociais, o que faz com que ninguém conheça ninguém de fato, mas apenas o cotidiano das suas vidas patéticas, muitas vezes divulgadas não com a intenção de difundir felicidade, mas apenas causar inveja, bem como com a falta de boas leituras, o que se faz com uma filtragem de todo tipo de informação a que somos bombardeados constantemente. A nova regra é: quando for irônico, coloque um "-sqn" - expressão que significa "Só Que Não". - no final da frase, para a pessoa ter certeza de que se trata de uma ironia. Perdemos a capacidade de questionar? Se um professor afirma algo, é verdadeiro só pelo fato dele ser professor? E as nossas convicções pessoais? Ou será que o mundo é tão louco que não existe mais razão em simples ironias? Afinal, tudo pode acontecer, até o mais improvável, não é mesmo?! Será?
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"Somos jogados aqui; vidas já existem; sabemos que a qualquer momento não existirão, e você só tem que seguir o fluxo, instintivamente ir, até o corpo aguentar." - Nat Bespaloff
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"Somos jogados aqui; vidas já existem; sabemos que a qualquer momento não existirão, e você só tem que seguir o fluxo, instintivamente ir, até o corpo aguentar." - Nat Bespaloff
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Tortuoso.
24 de setembro de 2013
Agora entendo a indignação de algumas pessoas, apesar de ainda não estar convencido e dar razão a elas, mas realmente entendo o motivo de revolta. É fácil crucificar quem se rende às hipocrisias e amoralidades, mas nem todo mundo entende que o ser humano é falho por natureza. Nem tudo é uma questão de valores, somos uma incógnita em constante mudança. Difícil, não!? Como um ímã que puxa ou é puxado, assim age a facilidade, ninguém quer ir pelo caminho mais tortuoso, a busca é sempre pelo objetivismo sem consequências, mesmo que usemos da nossa hipocrisia para dizer que é natural. Natural é errar. Querer errar não é mais natural. Até aqui consigo sentir a revolta daqueles que crucificam, mas ainda não dou razão e não consigo ser convencido de que há razão nisso tudo. Hoje em dia tudo é "liga o foda-se" e o desprezo, então porque não ligar também? Por que não? Ir pelo caminho tortuoso é se revoltar, indignar-se, se tornar um chato, crítico demais, é perder o brilho da felicidade fácil e estereotipada, é receber no peito e digerir do jeito que vier. Prefiro o tortuoso com o "foda-se" pontual, porque nem eu sou de ferro e me permito o fácil às vezes.
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Dentro de nós há uma coisa que não tem nome. Essa coisa é o que somos. [José Saramago – Ensaio sobre a Cegueira]
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Politicamente Correto.
11 de setembro de 2013
Já cansei de pensar, pensar e pensar. Até para abrir a boca para assobiar eu tenho que ter cuidado com o que assobio. A moda da vez é o politicamente correto. Não se pode fazer ou falar mais nada que alguém se sentirá ofendido. Se a novela da Globo coloca a imagem de um médico que supostamente não existe na realidade, imediatamente sofre retaliações da classe de médicos. Se um comediante solta a frase "comeria ela e o bebê" no tom claro de piada, é logo taxado de escroto inescrupuloso e ainda por cima maníaco. Se o grupo Portadosfundos coloca um vídeo no Youtube sobre Jesus, logo aparecem os religiosos fanáticos exigindo sua retirada. São tantos exemplos que a lista seria muito longa e não faltaria assunto puxando assunto. É fácil esquecer que o primeiro caso se trata de uma estória (narrativa de FICÇÃO), que se não agrada basta parar de assistir, no segundo e terceiro casos trata-se de humor escrachado (foi sem graça os dois, assumo, mas ainda é humor para alguns e respeito isso). Claro que não estou colocando o humor e as estórias acima da moral e da ética, deixando ambos sem qualquer limite, mas o que tem de se levar em consideração é o "dolo" da situação.
O politicamente correto vem se impregnando não somente na linguagem, obviamente, mas lembro como se fosse hoje o dia em que li que chamar alguém de preto, negro, moreninho e outras tantas denominações era errado e que o correto seria afrodescendente. Até a palavra afrodescendente usada de forma pejorativa pode ofender. A linha que divide a ofensa do uso comum (que um dia foi impregnado pelo racismo histórico, mas que hoje não tem a mesma conotação em todos os casos) é muito tênue. Chegar para um amigo e falar "tudo bem, viado?" não é a mesma coisa de falar "você é viado" ou que dizer "oi, meu gordo" não é a mesma coisa de "seu gordo". Óbvio que não estou falando que reafirmar ou reforçar estereótipos preconceituosos seja saudável para a sociedade, mas ao se impedir de expressar sobre o assunto, nas mais diversas formas, escrachada ou sutil (acreditem, o sutil é pior), acaba trazendo uma delicadeza desnecessária. Falar de assuntos delicados se torna ainda mais delicado quando começamos a apontar vítimas para tudo ao invés de tratarmos o assunto com serenidade e respeito principalmente, tanto às minorias quanto as maiorias, ambas pensantes.
Se ler Monteiro Lobato me fizesse uma pessoa pior ou melhor, com certeza não seria pelo o que li, e sim a forma como interpretei o que foi lido, e não adianta trazer uma cartilha informando qual é a interpretação correta a ser feita.
O discurso do politicamente correto é típico das minorias, mas não exclusivo, e tornar-se minoria oprimida agora é vantajoso, vide o caso da pessoa que resolveu se fingir de índio para garantir algumas benesses.
A vanguarda do politicamente correto nunca descansa, é preciso ter cuidado até com o que pensamos mas não exprimimos. Se continuar do jeito que vai, acabaremos censurando até princípio de pensamento. De que adianta podar o pensar, se continuamos sendo manipulados pelo não agir?
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O politicamente correto vem se impregnando não somente na linguagem, obviamente, mas lembro como se fosse hoje o dia em que li que chamar alguém de preto, negro, moreninho e outras tantas denominações era errado e que o correto seria afrodescendente. Até a palavra afrodescendente usada de forma pejorativa pode ofender. A linha que divide a ofensa do uso comum (que um dia foi impregnado pelo racismo histórico, mas que hoje não tem a mesma conotação em todos os casos) é muito tênue. Chegar para um amigo e falar "tudo bem, viado?" não é a mesma coisa de falar "você é viado" ou que dizer "oi, meu gordo" não é a mesma coisa de "seu gordo". Óbvio que não estou falando que reafirmar ou reforçar estereótipos preconceituosos seja saudável para a sociedade, mas ao se impedir de expressar sobre o assunto, nas mais diversas formas, escrachada ou sutil (acreditem, o sutil é pior), acaba trazendo uma delicadeza desnecessária. Falar de assuntos delicados se torna ainda mais delicado quando começamos a apontar vítimas para tudo ao invés de tratarmos o assunto com serenidade e respeito principalmente, tanto às minorias quanto as maiorias, ambas pensantes.
Se ler Monteiro Lobato me fizesse uma pessoa pior ou melhor, com certeza não seria pelo o que li, e sim a forma como interpretei o que foi lido, e não adianta trazer uma cartilha informando qual é a interpretação correta a ser feita.
O discurso do politicamente correto é típico das minorias, mas não exclusivo, e tornar-se minoria oprimida agora é vantajoso, vide o caso da pessoa que resolveu se fingir de índio para garantir algumas benesses.
A vanguarda do politicamente correto nunca descansa, é preciso ter cuidado até com o que pensamos mas não exprimimos. Se continuar do jeito que vai, acabaremos censurando até princípio de pensamento. De que adianta podar o pensar, se continuamos sendo manipulados pelo não agir?
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São Tulipas.
23 de agosto de 2013
Faz alguns anos que não me sentia assim, mesmo não criando expectativas não pude deixar de imaginar, e a minha imaginação consegue ir tão longe quanto qualquer expectativa que eu poderia criar. Um simples e longo suspiro de um tudo bom que poderia ser.
Tive suas mãos em minhas mãos, mas enquanto para você era só o carinho do toque usual, para mim era poder sentir você, mesmo que por um ou dois segundos, fiz deles o par de segundos mais demorados que já vivi só para lembrar daquele momento de ternura. Era você ao meu lado, sua presença inconfundível me deixava mais do que feliz naquele momento, me deixava completamente desconcertado, era um bobo qualquer que estava perdido frente a uma mulher decidida. Era o seu cheiro que aguçava a minha vontade, quase incontrolável, de te beijar, seus lábios mexiam numa delicadeza que só o toque deles nos meus seriam capazes de parar o tempo. Era o seu sorriso, encantador, era o seu humor, contagiante, sua forma de falar, sempre segura, sua maneira de tentar controlar a franja, maldita franja, que lhe fez, mesmo que sem querer, fazer com que eu me apaixonasse por você, foi tão rápido que não pude criar barreiras ou proteções, quando percebi já tinha sido tomado por inteiro. Por fim, era o seu olhar, meigo, aquele que já sabia o que se passava do outro lado, que me hipnotizava, era de uma beleza rara onde eu mergulhava sem palavras.
Mas as tulipas não eram vermelhas, elas eram amarelas desde o início, e eu já sabia disso, não foi por falta de aviso seu, não tenho para quem reclamar ou recorrer, só me resta pensar em você, naquele vestido branco, se despedindo de mim como se nunca mais fosse me ver novamente, e se naquele instante eu morri, foi só para poder sorrir ao escrever isso para ti e sonhar, quem sabe um dia os meus sonhos não se encontrem com os seus em qualquer esquina de coincidência.
"Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar"
Tive suas mãos em minhas mãos, mas enquanto para você era só o carinho do toque usual, para mim era poder sentir você, mesmo que por um ou dois segundos, fiz deles o par de segundos mais demorados que já vivi só para lembrar daquele momento de ternura. Era você ao meu lado, sua presença inconfundível me deixava mais do que feliz naquele momento, me deixava completamente desconcertado, era um bobo qualquer que estava perdido frente a uma mulher decidida. Era o seu cheiro que aguçava a minha vontade, quase incontrolável, de te beijar, seus lábios mexiam numa delicadeza que só o toque deles nos meus seriam capazes de parar o tempo. Era o seu sorriso, encantador, era o seu humor, contagiante, sua forma de falar, sempre segura, sua maneira de tentar controlar a franja, maldita franja, que lhe fez, mesmo que sem querer, fazer com que eu me apaixonasse por você, foi tão rápido que não pude criar barreiras ou proteções, quando percebi já tinha sido tomado por inteiro. Por fim, era o seu olhar, meigo, aquele que já sabia o que se passava do outro lado, que me hipnotizava, era de uma beleza rara onde eu mergulhava sem palavras.
Mas as tulipas não eram vermelhas, elas eram amarelas desde o início, e eu já sabia disso, não foi por falta de aviso seu, não tenho para quem reclamar ou recorrer, só me resta pensar em você, naquele vestido branco, se despedindo de mim como se nunca mais fosse me ver novamente, e se naquele instante eu morri, foi só para poder sorrir ao escrever isso para ti e sonhar, quem sabe um dia os meus sonhos não se encontrem com os seus em qualquer esquina de coincidência.
"Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar"
Criado por
Bruno Bello
às
00:54
2
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