Um desabafo pessoal

17 de abril de 2009

Não pretendo mentir nem jogar. Não pretendo escrever tudo e ao final esperar que algo se resolva. O máximo que pode acontecer é meu ponto de vista não ser compatível com o do(a) leitor(a). Até o final desse texto espero ter sido sincero comigo, porque é simplesmente o meu desabafo, o meu pessoal para quem quiser entender ou desentender de vez. Acredito que o passo ao reconhecimento já foi dado e não adianta mais fingir, seria minha pior regressão. Tento parecer forte, me fazer forte e acreditar sempre nisso para lutar. Sei que não adianta entrar numa luta se achando fraco, achando que tudo já está perdido mesmo lutando. Mas em algum momento ficamos fracos, provavelmente no final de cada luta perdida. Para mim, acredito que até as ganhas me enfraquecem a cabeça e o coração, porque não gosto de entrar em conflito, mas é tão necessário quanto o bater do coração. Para alguns é difícil acreditar nessas palavras que irei escrever, apenas digo que não pareço nada, absolutamente nada, com o que qualquer um tem como minha imagem e julga me conhecer. Sou muito mais do que um mero julgamento precipitado, muito mais que palavras ditas por mim e passo cada dia da minha vida tentando me conhecer melhor. Mas uma coisa eu devo contar, mesmo que seja julgado de forma errada e mesmo que seja entendido da forma errada, e na verdade é para isso que eu estou aqui, sentado, numa noite de sexta feira, pensando e relembrando alguns fatos vividos recentemente. Antes de qualquer coisa, preciso começar e fazer o mais difícil desse texto, assumir de uma vez para todos: Amei incondicionalmente, amor não correspondido, amor sonhado e não vivido. Fico feliz em assumir isso e o peso das minhas costas desapareceu ou pelo menos diminuiu, fico feliz em saber que não sou uma pedra e sou capaz de me fazer cheio, capaz de sonhar verdadeiramente, ao contrario do que muitas pessoas acreditam fazer. Não me importava com nada além do mundo que criei para mim e que tentei compartilhar com um mundo diferente e alheio, era doce sonhar e o meu maior vicio. Fui ignorado, diria até que desprezado, alguns diriam até que manipulado em um jogo que eu nunca quis jogar, mas conhecia a regra e mesmo assim ignorei porque não impunha condições a nada, passaram por cima de mim e eu simplesmente ignorei tal fato, e nenhuma palavra dita me convenceu do contrário. Os fatos são mais coloridos do que as palavras em preto e branco. Qualquer justificativa dada me parecia com mais uma "desculpa de pernas curtíssimas". Fui peça em um jogo ridículo. Mas e daí?! O mundo, no inicio, era meu e apenas meu. Isso para mim era fácil de entender. A minha felicidade era plena e era possível ver a lua através dos meus olhos, que reluziam no início. Dor, decepção e raiva ainda não se juntavam ao orgulho próprio. Aprendi que o mundo não era apenas meu, mesmo que em construção, e que poderia ser destruído. Foi o que aconteceu: o imprevisto por mim que tanto acreditei em algo concreto, que tanto sonhei. Diante da queda(diga-se rasteira), procurei me levantar e pensei que tinha encontrado uma solução para meus problemas sem solução: o tempo. Descobri que foi mais um erro banal acreditar no tempo. Descobri que meses viram pó ao vento. Queria apenas me sentir seguro uma vez e poder confiar em alguém. Tenho pena de quem não tem pulso para a vida, de quem enxerga pela metade e acredita mesmo estar vivendo quando apenas acha que sofre, acha que se machuca, enfim, acha que vive, acha que tudo é o contrário do que realmente é, acha que a monotonia é razão de viver, acha que o comodismo é forma sublime de vida. Fiz questão de ser sempre porto seguro e nunca encontrei o meu, meu coração sempre foi demais pra mim, porem não conseguia ser meu porto seguro. Dei-me outra chance porque queria acreditar mesmo não acreditando mais, mesmo estando tão inseguro. Sabia dos riscos e por isso segui em frente com mais um sonho. Fui mais condicional, mais medido e começou a surgir em mim princípio de medo (medo que não faz parte de mim). Novamente aconteceu o não tão imprevisto e muito mais previsto. Menos dor, menos decepção e mais raiva, dessa vez junto veio o orgulho. Aprendi que prever as coisas é melhor para o coração e pior para a cabeça. A cabeça é mais cruel que o coração e consegue sobreviver. De qualquer forma “menos” ainda não significa um “não”. A ferida apenas aumentou e se fez presente em todo corpo que já não tinha mais sangue. Permitindo que seja vista por mim (e por todos) sempre que tentava pensar de outra forma. Consegui um bloqueio, consegui parar de sonhar, consegui ser quem não sou, consegui ser aquilo que mais criticava e repudiava e só percebi isso quando me vi fazendo o pior, tarde demais. Me arrependi do que disse e das atitudes que tomei em estado irreconhecível. Nada mais sincero do que as desculpas, nada mais verdadeiro do que as palavras, nada mais angustiante do que o sentimento temporário de culpa, mesmo sabendo que no fundo era apenas uma gota de culpa diante de um oceano. Consegui ficar em paz comigo. De sentir novamente, apesar de estar tão indiferente. De voltar a ter meus tão prezados sonhos. Sonhei novamente. Isso bastou para uma faísca de felicidade. Me ofereceram algo que não foi suficiente para o que já vivi, me ofereceram o que eu já conhecia como o pior e nunca fico contente com o pouco se sei que posso ter mais. A minha tolerância já não é a mesma do inicio e isso é fácil de explicar, mas não me cabe fazer isso. Agora respiro fundo para chegar ao final do meu texto e provavelmente lê-lo mais umas 10 vezes no minimo. Não posso prever o futuro, mas não quero mais deixar de sonhar, deixar de agir com o coração e deixar de sentir. Quero ser eu e quero ter ao meu lado pessoas que realmente gostam de mim. É!! Tenho que admitir isso: Tudo valeu a pena e faria tudo novamente porque pesando tudo, eu vivi! Hoje, fazem de mim a indiferença que sou mas nunca quis ser. Apenas me fiz espelho e consigo refletir tudo. Me fiz tristeza para apenas um olhar dentre todos os que vejo. A criança que sou e que um dia pensei em não ser mais voltou com toda a força possível, porque crianças se dão bem. Só quero deitar na rede e esperar que alguém a balance, para que possa sentir o conforto de um carinho legitimo, quero oferecer meu carinho e esperar que seja recebido com vontade legitima. Quero um amor e nunca deixarei de amar. O coração é mais do que eu pensei. Ufa!! Cansei de pensar, fico por aqui.

"Amar significa sofrer, não amar significa morrer."


O Lapso

5 Reações:

Ricardo Monteiro da rocha Franco Filho disse...

Bello,

Sincero, suas palavras foram. Isso significa mostrar as feridas e inseguranças. "Fraquezas alguns diriam", como se não tivessem. Não tenha medo de amar, apesar do adestramento psíquico que afasta a sua mão do fogo. Tenha sempre em mente que sem essa centelha, que desperta o melhor que há dentro de te, a vida fica vazia ou como diriam os românticos: Incompleta.


Ricardo Monteiro da Rocha Franco Filho

Indira disse...

Caro amigo Bello,

Primeiramente, adorei o seu texto!
As vezes, é necessário ser sincero consigo mesmo para reencontrar a felicidade. Mas essa sinceridade está completamente refletida na coragem de dizer o que mais nos machuca e o que mais nos incomoda!
E lembre-se: toda experiência, por mais dolorosa que seja, é válida! Válida para sofrer, válida para nos tornar mais fortes!
E lembre-se também: nunca é tarde para amar, e nas suas palavras, afirmo de outra maneira, logo, é melhor amar que morrer.

Um grande beijo de sua amiga que te adora!

Dira

Paula disse...

Adorei o texto ! Muito bom mesmo. Mas como ja disseram as outras pessoas q comentaram, e eu concordo: nunca tenha medo de amar; toda experiencia é válida, mesmo q sofrida...e sempre há "o lado bom do lado ruim" = dá sempre pra tirar lições até do sofrimento para uma proxima relação.
não q na proxima nao va haver sofrimento...mas vc saberá lidar melhor com o mesmo.

:***

Paula

O Lapso disse...

Obrigado, amigos, pelos comentários!

Confesso mais uma coisa:
Senti falta de 2 comentários aqui.

Bello

O Lapso disse...

"Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades,
e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido
que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma,
e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante,
onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia um êxtase,
e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"