Meias palavras.

9 de novembro de 2011

Eu ficava ali, parado, totalmente inerte, mergulhado e mergulhando ao mesmo tempo naquele profundo mistério que é o seu olhar. É como se eu estivesse prestes a dizer qualquer coisa, apenas para decifrar uma pequena alteração de cor, em qualquer minúsculo ponto imperceptivel a olho nu, resultado de sua reação, o que sabia que não aconteceria, por óbvio, mas ainda assim continuava em silêncio apenas olhando e me fazendo mistério.
Ficava ali planando, tentando colocar os pés no chão, mas algo me fazia insistir em nunca ter fincado raízes e por consequência não ter sido envenenado por erros em busca da sobrevivência.
De tudo, pouco demais se expressava, a não ser o medo. Apenas meias palavras que se mostravam mais do que realmente eram, bem poucas. Eram meias palavras transformadas em sentimento pleno.

“Como se faz para viver uma vida vazia, cheia de nada” (O Segredo dos Seus Olhos)

O Lapso.

1 Reações:

Ricardo Monteiro da rocha Franco Filho disse...

Simples e intenso, mas gostei muito.

Parabéns