Em Escrito

27 de dezembro de 2009

Todas as palavras tem um motivo de estarem escritas aqui. São feitas da mais pura vontade, mesmo que não haja mais nada a se dizer, mesmo que durante e depois de todo esse tempo não tenha sobrado mais nada do que foi experimentado tão intensamente. É triste saber que a descrença tomou conta de tudo e que o sonho tornou-se apenas mais um sonho perdido. Os planos, apenas ideias vagas sem nexo. As feridas, apenas marcas doloridas.
É como se fosse um filme, daqueles tipo "sessão da tarde", visto mais de três vezes ou um filme bom que merece ser visto mais vezes. Cada cena uma lembrança, uma cor, um aroma, uma volta aos pequenos detalhes e a certeza de que mesmo sabendo do final, único, a esperança de uma mudança e das escolhas certas. Além de tantas outras, são essas as minhas boas lembranças: um pequeno quarto, uma cama de solteiro, uma pequena tv e uma sensação tão grande de conforto e aconchego. Ao mesmo tempo um quadro de aflição pendurado na parede para me lembrar que nem tudo são flores e que o gosto amargo é angustiante e duradouro. A certeza de ali ter vivenciado um pouco da loucura até a pura razão.
De todos os pedidos, de todas as vontades e de tudo o que aconteceu, não me cabe fazer mais nenhum julgamento. Errei ao faze-los e gostaria de compartilhar esse erro. A dor que me atormentou e a raiva que tomou conta, em muitas vezes, só serviram para consolidar essa indiferença mútua, que hoje tornou-se uma normalidade cruel. Eu nunca pedi por isso, mas assumi o risco. Sempre esperei ouvir aquela frase, e tive as melhores e maiores expectativas. Fui fiel aos meus princípios e leal a essência do meu ser. Tudo muito estranho e confuso, e dos males apenas a percepção de que devemos tomar cuidado com o que nos é dito (aqui cabe a maldade) e por quem (aqui cade a decepção). É uma lição que devo aprender. Por isso a dificuldade de confiar, de dar um passo a frente já pensando no próximo pé. A verdade pode estar exposta de diversas maneiras, mas a mentira é aquela dita e que nos deixa completamente cegos para a verdade.
O jardim não estava pronto para a primavera que viria e o verão chegou para ser o mais rigoroso inverno de todos os tempos. O vento que sopra a nossa vida não estava a favor, e como uma ventania, destruiu, sem permissão e repentinamente, a primeira flor que ali estava a brotar. Aqui nesse meu espaço não me resta vergonha ou orgulho, é meu lugar e das pessoas que procuram por ajuda, lugar das minhas palavras e dos meus pensamentos, mesmo que as vezes indecifráveis como agora. Posso estar enganado, e isso é totalmente normal e aceitável, mas a terra que restou ainda é fértil para o que há de vir e para ser achado, e aqui ainda cabe me questionar:
Todos podem errar (e de fato erram), por que não eu? Esse é o peso que carrego. E agora, é isso mesmo? (pausa para puxar todo o ar que consigo). Serão apenas palavras em escrito. Foram as minhas ultimas palavras de alimento. É a resposta que eu teria dado para saber se do outro lado é amor. Por que do meu lado eu sei o que é.

O Lapso

2 Reações:

Ioh. disse...

Eu gosto tanto de você, meu amigo!
Vontade de lhe dar um abraço bem apertado!

=****

O Lapso disse...

Vai ficar me devendo esse abraço!
Mas nem vou cobrar vuh!!

bjuuu